De acordo com as medições efectuadas pela Google à entrada dos seus servidores, a percentagem de acessos em IPv6 relativamente ao número total de acessos mundiais, cresceu de 2,47%, em Janeiro de 2014, para 11,7% em finais de Abril de 2016:
http://www.google.com/intl/en/ipv6/statistics.html
Na lista dos países de onde este tráfego IPv6 é originado, Portugal figura em sexto lugar a nível mundial e em quinto a nível europeu.
Em idêntico retrato, feito a partir das medições efectuada nos servidores da Akamai, Portugal ocupa o quinto lugar. A Akamai é o leader mundial de fornecimento de serviços CDN (Content Delivery Network):
https://www.akamai.com/uk/en/our-thinking/state-of-the-internet-report/state-of-the-internet-ipv6-adoption-visualization.jsp#countries
Comparando ainda com os acessos a partir de Portugal para “sites” localizados na região da Ásia/Pacífico (APnic) a fotografia é semelhante:
https://www.vyncke.org/ipv6status/detailed.php?country=pt
De facto, entre Janeiro de 2014 até Maio de 2016, o tráfego IPv6 gerado a partir de Portugal e destinado aos “sites” internacionais mais visitados que já respondem em IPv6, cresceu cerca de 20%, acreditando-se que este crescimento é devido ao número de clientes residenciais que têm vindo gradualmente a dispor em suas casas, sem que disso se tivessem apercebido, de acessos IPv6. Estima-se que exista actualmente em Portugal mais de 1 milhão de casas com “dual-stack” (ou seja, disponibilizando em simultâneo um endereço IPv4 e um segundo endereço em IPv6); desconhece-se todavia se esse número terá tendência para crescer ou para estagnar.
Ao contrário, do lado da oferta de conteúdos nacionais com suporte IPv6, tudo parece continuar por fazer, não tendo sido possível localizar com facilidade servidores e fornecedores de alojamento de conteúdos que suportem ou anunciem planos para acessos a esses destinos a partir de clientes com IPv6 nativo.
Na verdade, e recorrendo ao portal desenvolvido por Eric Vyncke, um conhecido evangelista do IPv6, que reside na Bélgica, e a quem não será alheio o primeiro lugar ocupado por este país no ranking IPv6 da Google e da Akamai, pode verificar-se que a situação ao nível da oferta de conteúdos de serviços Web, DNS e email, em Portugal, não tem comparação com a que se sem vem registando do lado do acesso:
https://www.vyncke.org/ipv6status/detailed.php?country=pt#prefixes
Em concreto, ainda que já tenham sido atribuídos a Portugal cerca de 65 prefixos IPv6, apenas cerca de 20 estavam activos em 17 de Maio:
https://www.vyncke.org/ipv6status/plotbgp.php?country=pt
O programa da sessão que a Anacom, DNS.pt e ISOC Portugal elaboraram para esta conferência do próximo dia 21 de Junho de 2016 tem como principal objectivo, para além de continuar a contribuir para a divulgação das temáticas associadas ao IPv6, abordar e debater com algum detalhe estes dois aspectos do problema.
Na sessão da manhã iremos ouvir o RIPE NCC, o Regulador francês Arcep, e assistir a um painel com quatro operadores nacionais de referência, que será moderado pela Anacom; terminaremos com apresentações da Telefónica (Espanha), e apresentações sobre o estado do IPv6 nas redes universitárias a nível nacional (FCT) e europeu (IST).
A sessão da tarde, focada nos conteúdos nacionais, contará com uma apresentação de abertura que estará ao cuidado do DNS.pt, a que se seguirá uma apresentação da eSPap sobre o estado do IPv6 na Administração Pública e outra da DECO.
O programa da tarde será concluído com dois painéis, o primeiro com representantes de quatro conhecidos portais de compras “on-line”, moderado pelo DNS.pt, e o segundo com quatro “registrars”, moderado pela ISOC Portugal.
Face um programa tão diverso, é grande a expectativa dos organizadores para que venhamos a ter um dia de interessantes apresentações e debates.
09:00
Registo
09:15
Sessão de Abertura
João Confraria - Anacom
Guilherme d’Oliveira Martins - Secretário de Estado das Infraestruturas


10:00
IPv6 – Diagnósticos e Perspectivas 2016


Mário de Almeida - ISOC P
10:15
Key- note address: "The Challenges ahead of IPv6”


Gerardo Viviers - RIPE NCC
10:45
ARCEP, França
Philip Distler (videoconferência)
11:15
Pausa para café
11:30
Painel Operadores

Moderado pelo João Confraria (ANACOM),
com a presença dos operadores:
MEO - Luís Alveirinho

NOS - José Pascoal

Vodafone - Victor Gonçalves Alves Calçada
12:30
IPv6 Benefits for Digital Businesses: Sevilla IPv6 Smart City


Carlos Ralli-Ucendo - Telefónica I+D (via skype)
12:45
IPv6 na RCTS


Carlos Friaças, FCT/FCCN
13:00
IPv6 nas Redes Académicas na Europa


Fernando Mira da Silva - IST/Projecto GEN6
13:15
Almoço
14:30
Painel “Vendas on-line, Alojamento e Conteúdos”

Moderado por Luisa Gueifão - DNS.pt

e José Legatheaux - ISOC P
Claranet - Gonçalo Oliveira
PtServidor - Henrique Mouta
15:45
Pausa para café
16:00
IPv6 na Administração Pública


Carlos Gonçalves – eSPap
16:15
ANA - Aeroportos


Tomaz Magalhães Crespo - ANA
16:35
A perspetiva do Consumidor on-line


Eduardo Ribeiro - DECO
17:00
Encerramento

"Os organizadores reservam-se o direito de proceder a alterações do programa se as mesmas se vierem a revelar necessárias"
Nos anos 90 do século passado o IETF (Internet Engineering Task Force), prevendo limitações a prazo na expansão da Internet por falta de espaço de endereçamento adequado, definiu e normalizou a versão 6 do protocolo IP (IPv6). Até recentemente a expansão da utilização do IPv6 foi lenta. No entanto, com o esgotamento de endereços IPv4 livres, i.e. que nunca tenham disso afetados a utilizadores anteriormente, a utilização de IPv6 está a subir de forma consistente, e começam a aparecer alguns fornecedores cujas redes apenas suportam IPv6.
Esta situação, que tenderá a tornar-se cada vez mais frequente com a expansão da Internet e a sua penetração em novas áreas, como por exemplo a “Internet das coisas (IoT)”, vai agravar o perigo de fracionamento da Internet [
https://www.weforum.org/reports/internet-fragmentation-an-overview/ ] em bolsas de Internet IPv4 e bolsas de Internet IPv6, sem comunicação direta entre as duas. Daqui resulta a urgência de introdução de suporte de IPv6 em todas as redes IPv4 (em dual stack). O encontro de dia 21 de Junho de 2016, promovido pela Anacom, DNS.PT e ISOC.PT tem por objetivo fazer o ponto da situação do IPv6 em Portugal e discutir as perspetivas de curto prazo para a sua evolução no nosso país.
Não havendo dúvidas de que o IPv6 é já suportado no core da Internet e nos seus principais backbones, importa analisar o que se passa nas redes de acesso para utilizadores, e nas redes de suporte dos conteúdos. Estes são, respetivamente, os objetivos das sessões da manhã e da tarde do encontro. As sondas de análise internacionais como da Google)
http://www.google.com/intl/en/ipv6/statistics.html
ou as da Akamai:
https://www.akamai.com/uk/en/our-thinking/state-of-the-internet-report/state-of-the-internet-ipv6-adoption-visualization.jsp#countries
mostram que do lado do acesso Portugal está entre os países onde a utilização de IPv6 é mais frequente (entre 20 e 25% dos utilizadores podem usar IPv6). Importa analisar a razão de ser desta situação, assim como o que ainda falta fazer para atingirmos os 100%. Este será o tema da sessão da manhã em que a questão será discutida com os principais operadores nacionais, quer comerciais, quer universitários.
Já no que diz respeito às redes de suporte da oferta conteúdos, tudo indica que, infelizmente, apenas os fornecedores internacionais dos conteúdos mais usados pelos utilizadores nacionais suportam IPv6 (e.g. Google, .....) como põe em evidência o site
https://www.vyncke.org/ipv6status/detailed.php?country=pt#prefixes que mostra o grau de penetração do suporte de IPv6 nos sites nacionais mais populares de acordo com a lista da Alexa
http://www.alexa.com/topsites/countries/PT.
Assim, na sessão da tarde, vamos analisar o estado e as perspetivas do IPv6 do ponto de vista das infraestruturas de suporte aos serviços (DNS, Cloud Hosting, serviços de proteção, ...), assim como nas infraestruturas da função pública e de sites populares no país.